Biografia Keiko Ota

A morte é uma realidade difícil. As pessoas, mesmo tendo certeza de que cedo ou tarde terão de enfrentá-la, não estão prontas para lidar com a ausência definitiva. Mas a morte faz parte da ordem natural da vida e sabemos que teremos de prestar as últimas homenagens a nossos pais, amigos e demais entes queridos.

Isso tudo já é complicado pela dificuldade natural que temos em dizer adeus a quem amamos. Quando o destino inverte a ordem mais comum de tal situação, a dor se intensifica e a perda pode acabar destruindo a vida de quem fica.

Um filho que diz adeus aos pais e os antecede nesse processo deixa marcas muito grandes que podem eliminar todas as alegrias, a vontade de viver e os sonhos de uma mãe que se despede daquele que deveria lhe prestar as últimas homenagens.

Keiko Ota passou por essa experiência ao perder seu filho Ives, morto de forma brutal aos oito anos, depois de ser sequestrado. Mas ela soube transformar a dor e a tristeza em força para ajudar outras pessoas, para melhorar a sociedade e para continuar acreditando que é possível superar uma perda tão dolorosa.

Sua batalha começou de forma pessoal. Ela e o marido Masataka Ota fundaram, em 1997, o “Movimento Paz e Justiça Ives Ota”, em homenagem ao filho. Com o passar do tempo, aquilo que era apenas uma tentativa de seguir em frente se transformou em algo muito maior.

Keiko Ota e o marido passaram a oferecer apoio a outras famílias vítimas de violência por meio de palestras e da luta por paz, justiça e direitos humanos para todos. Um dos aspectos de maior relevância nesse processo foi o caminho do perdão trilhado por eles.

O casal defende que a superação só é alcançada por meio do perdão. Em suas palestras, ela oferece conforto a outras mulheres em situação parecida com a sua e relembra o momento em que, em conjunto com o marido, perdoou publicamente o homem que matou seu filho.

A receptividade do público, os convites recorrentes para participar de eventos, encontros, programas de TV e rádio, entre outras aparições públicas acabou transformando o casal em porta-voz das famílias vítimas de violência.

Nessa trajetória, surgiu a necessidade de externar e levar a dor e o sofrimento desses pais e mães aos espaços de decisão. Foi assim que Keiko Ota entrou para a vida pública. Ela está em seu primeiro mandato como deputada federal. Eleita com 213 mil votos, tornou-se a primeira mulher de origem japonesa, na história do Brasil, a ocupar um cargo político. Foi ainda a 11ª parlamentar mais votada no Estado de São Paulo.

Formada em Direito pela Universidade de Mogi das Cruzes (SP), a deputada passou a representar as demandas de pessoas vitimadas pela criminalidade, violência e a impunidade em todo o país. Nascida em Olímpia e casada há cerca de 30 anos com Masataka Ota, é mãe também de Ises e Vanessa.