Estudo mostra que o Brasil responde por 11% dos homicídios do mundo

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, recentemente, a ONU divulgou um estudo que mostra que o Brasil responde por 11% dos homicídios do mundo. Isso significa que um em cada 10 homicídios registrados em 2012 ocorreu no nosso País.
Estamos falando de mais de 50 mil mortes verificadas nesse período. No ranking das 30 cidades com maior índice de violência, aparecem 11 Municípios brasileiros.
A pesquisa aponta que 36% das 437 mil pessoas assassinadas em 2012 estão nas Américas – principalmente na América Central e na América do Sul. O Brasil, nesse quesito, só perde para Honduras, país mais violento no mundo, que tem taxa de 90,4 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Outro dado relevante: 95% dos crimes nas Américas são praticados por homens. No total das mortes, 15% foram ocasionadas por violência doméstica, e em 70% dos casos, as vítimas eram mulheres.
Esses números indicam que ainda temos muito a fazer se quisermos nos ver livre da criminalidade, da violência e da impunidade. Para isso, está mais do que provado: precisamos de leis mais duras para coibir os crimes contra a vida.
E no nosso caso, das mulheres, temos uma das mais avançadas legislações do mundo no que se refere à defesa das mulheres. Falo da Lei Maria da Penha. Porém, os números apresentados pela ONU sinalizam que temos de colocar essa lei efetivamente em prática. 
Lembro que, ao longo de 2012, percorri os principais Estados brasileiros para verificar a situação dos serviços públicos oferecidos à população feminina exposta a atos de violência.
Fui Vice-Presidente da CPMI da Violência contra a Mulher. Pude constatar exatamente o que aponta o relatório da ONU: nós, mulheres brasileiras, continuamos sendo vítimas da violência cometida pelos homens. O pior é que a maior parte desses casos, infelizmente, ocorre dentro da própria casa, envolvendo maridos, namorados ou companheiros. 
É fundamental que o poder público esteja realmente preparado e em condições de prestar atendimento adequado às mulheres vítimas. Se não encaramos esse problema de frente, continuaremos perdendo essa batalha.
Obrigada!