Fukushima

 

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como descendente de japoneses e sendo uma das representantes, na vida pública, da comunidade NIKKEI, não poderia deixar de recordar e me manifestar a respeito da terrível tragédia ocorrida, há exatamente um ano, em Fukushima, no Japão.
Tragédia é um termo que não dá a devida dimensão quando nos referimos ao terremoto que, em 11 de março de 2011, atingiu a costa daquela cidade. O tremor de 8,9 graus na escala Ritcher gerou o tsunami que danificou a usina nuclear local e provocou a morte de cerca de 20 mil pessoas.
Acontecimentos horríveis como esse mudam a nossa percepção a respeito da vida. E não poderia ser diferente. Trata-se de uma marca que permanece presente no nosso cotidiano – ainda mais para quem consegue sobreviver a uma situação dessas.
Essas marcas devem servir para melhorarmos e, se for o caso, mudarmos nossa concepção de mundo. Evidentemente que nunca mais seremos os mesmos. Afinal, a lembrança dura e fria desses momentos sempre rondará nossos pensamentos. 
Extirpar a dor, o sentimento de perda de um ente querido provocado por um episódio como esse requer muita força de vontade. Significa se dar conta de que existem milhares de outras pessoas que também vivenciaram ou vivenciam a mesma sensação de abandono.
Guardadas as devidas proporções, minha condição de mãe que perdeu um filho aos oito anos, vítima de um brutal assassinato, faz com que me sinta próxima das milhares de famílias de sobreviventes do acidente de Fukushima. E faz também com que eu externe minha solidariedade à comunidade local, que vem retomando, com todas as dificuldades típicas desse momento, o seu dia a dia.
Tragédias como essa só tem um sentido: propiciar que pensemos melhor nas coisas que fazemos diariamente e se as estamos realizando da melhor maneira possível para nós mesmos. E também nos fortalecer face às dificuldades que enfrentamos e nos tornar solidários à luta de tantas pessoas que buscam justiça, paz e direitos humanos nas suas vidas. 
Nossa postura oriental em relação aos sentimentos nos leva a refletir isoladamente a respeito dessa tragédia. Essa sina cultural dos nossos antepassados deve ser respeitada enquanto tradição que nos é passada de geração a geração. Mas no caso de Fukushima, nada mais apropriado do que reverenciarmos a memória das vítimas e externarmos, da maneira mais aberta e franca possível, nosso apoio incondicional às famílias que conseguiram sobreviver a esta tragédia. O minuto de silêncio que oferecermos em relação a esse episódio deve reverberar com toda a intensidade em nossos corações, mentes e atos.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigada.